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Missionário assassinado «tinha muito amor à vida»
Texto Francisco Pedro | Foto E. Assunção | 04/05/2012 | 12:45
Valentim Eduardo Camale andava a tirar uma licenciatura, ensinava francês graciosamente a um grupo de jovens e tinha vários projetos em carteira. A sua morte, às mãos de quatro ladrões, deixou em choque a Família dos Missionários da Consolata
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«Foi uma surpresa e é uma tristeza muito grande. O padre Valentim tinha muito amor à vida, estava cheio de projetos e muito projetado para o futuro», declarou esta sexta-feira o missionário Manuel Tavares. O sacerdote era um dos quatro que partilhava a casa com a vítima, na paróquia de Liqueleva, nos arredores de Maputo, Moçambique, mas soube da triste notícia pelo telefone, por estar de férias em Portugal.

«Os assaltos às casas religiosas são frequentes, mas normalmente, os ladrões apenas batem ou dão tiros nas pernas das pessoas, para as convencerem a dar tudo o que têm. Este terá sido o primeiro caso que resultou em morte e por isso impressiona mais», adiantou o missionário português, que conta com mais de 30 anos de missão, em Moçambique.

O roubo registou-se na noite de quinta-feira, dia 3, pelas 20h00. Primeiro entrou um assaltante na casa, depois apareceram mais três. Valentim Eduardo Camale, 48 anos, moçambicano, «homem forte e cheio de força», enfrentou os ladrões e foi agredido com violência na cabeça. Um dos seus confrades, Fábio Malessa, ainda o encontrou com vida, transportou-o ao hospital, mas a gravidade dos ferimentos e o facto de ter perdido muito sangue foram fatais.

«Uma morte violenta como esta deixa-nos estarrecidos com as atrocidades que estão acontecendo e com um sentimento de impotência. Não é fácil entender quanto vale uma vida perante a dinâmica deste acontecimento, não é fácil de ‘ler’ com fé uma tal morte, nem é fácil perceber o porquê da morte de um ainda jovem missionário, justificar ou perdoar quem cometeu uma ação tão violenta», disse Stefano Camerlengo, superior geral dos Missionários da Consolata.

Nesta hora de dor, o superior convidou toda a comunidade allamaniana a unir-se em oração em torno de Valentim Camale, acendendo uma vela e rezando em silêncio, «para que o Senhor o receba no Céu». As preces devem recordar também o sofrimento da sua família e pedir por todos os missionários, para que possam ter «paz e força» para continuarem a servir na missão.

Valentim Camale tinha 12 anos de sacerdócio, alguns deles passados em Portugal, na casa da Consolata, em Águas Santas, na Maia. Há um ano, foi colocado na paróquia de Liqueleva, em Moçambique, onde estava responsável por uma escola, frequentada por cerca de 80 crianças. Exercia a sua atividade pastoral e ainda arranja tempo para ensinar francês a um grupo de jovens.
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