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Futuro da água discute-se em fórum mundial
Texto E. Assunção | Foto Lusa | 10/03/2012 | 15:00
Mais de 140 países discutem em França os recursos de água potável para cerca de 800 milhões de pessoas que ainda não têm acesso ao precioso líquido. Procuram-se respostas para tamanha urgência no 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, a partir 12 de março
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Segundo um relatório do OCDE, publicado a 8 de março, é “primordial a utilização racional da água, da mesma forma que tarifá-la de maneira a desencorajar o desperdício”. O consumo de água no mundo deverá aumentar 55 por cento, até 2050, com o crescimento da população e o aumento da urbanização. A reunião trienal, que decorrerá até 17 de março, em Marselha, pretende drenar um largo afluente internacional, “a fim de servir como uma caixa de ressonância para promover a causa da água na agenda dos líderes mundiais”, afirmou Guy Fradin, vice-presidente do fórum e governador do Conselho Mundial da Água, instituição organizadora composta por 400 membros, públicos e privados.

“O fórum quer pressionar os governos para que entre eles falem sobre a água, porque é um assunto pouco discutido nas reuniões dos órgãos da ONU”, explicou o conselheiro para a Água do secretariado-geral das Nações Unidas, Gerard Payen. Segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no final de 2010, 89 por cento da população mundial, 6,1 biliões de pessoas, tiveram acesso a fontes melhoradas de água potável, superando o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio para 2015. No entanto 2,6 biliões de pessoas ainda não têm acesso a casas de banho. Os fóruns anteriores concentraram-se sobre os problemas, ao passo que este promete soluções concretas. Em 2009, o fórum de Istambul não conseguiu incluir na sua declaração final a noção de “direito” ao acesso à água potável e ao saneamento, tendo sido depois reconhecido pela ONU em 2010.

A partilha da água, assunto de soberania dos Estados, tem sido um ponto de discórdia constante. Recorde-se que metade da água consumida por 15 por cento dos países vem do exterior. “Este ponto será fortemente apoiado pela França, mas é um assunto difícil para muitos países”, revelou o vice-presidente do fórum. “Vamos ver o que podemos conseguir. É necessário avançar com mecanismos de gestão coletiva”. Aproximadamente 20 mil participantes de 140 países são esperados no 6º Fórum Mundial da Água. Uma dezena de chefes de Estado e de Governo estarão presentes na abertura, que conta com a presença do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. A abertura será realizada por François Fillon, o primeiro-ministro francês.

Mais céticas estão uma centena de organizações não governamentais que irão realizar um “fórum alternativo”, a 14 de março, com dois mil representantes da sociedade civil vindos da Espanha, Alemanha, Estados Unidos, América do Sul e África. Eles acusam o Conselho da Água de “ser o porta-voz das empresas multinacionais e do Banco Mundial”. Nos seus trabalhos e discussões, vão exigir uma gestão pública, ecológica e cidadã da água e uma distribuição equitativa.
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