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Curso de missiologia
Repensar a missão
Texto Cristina Santos | Foto Cristina Santos | 27/08/2011 | 09:00
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Nos intervalos do curso, os formandos aproveitam para debater ideias, ensaiar cânticos ou trabalhar em grupo. Numa dessas pausas, dois cursistas, Ana Maria da Cruz e César Silva, falaram à FÁTIMA MISSIONÁRIA, sobre o que a formação sobre a missão representa
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O curso não fazia parte dos planos de Ana Maria da Cruz que efectua, em Portugal, a sua preparação para os votos perpétuos. Contudo, garante que este primeiro ano da formação bienal ultrapassou as suas expectativas. É «uma oportunidade única», afirma a religiosa da congregação, Jesus Maria e José. «Mesmo sendo irmãs, precisamos de estar sempre informadas e o curso de missiologia ajuda-nos a perceber qual tem sido a nossa missão. Como é o nosso desempenho e de uma forma mais específica como é que eu tenho vivido nos lugares onde tenho sido chamada para a missão». A formação coloca dúvidas onde dantes não havia: «Eu questionei-me sobre a minha maneira de estar com as pessoas», afirma, em referência ao Paraguai, onde trabalhou nos últimos seis meses como missionária.

 

«As minhas ideias não podem ser impostas e não pode ser com pressa. Para mim pessoalmente o que mais me questiona é o tempo. Deus é tempo. É espera», continua. A irmã, natural do estado brasileiro de Minas Gerais, destaca a «necessidade de primeiro observar», estar com o povo e aprender a viver com ele. O missionário parte com um grande desejo, vontade de agir, mas «é muito necessário que haja tranquilidade para observar, conhecer, sentir as pessoas, ver o que pensam, como agem. Isso demora algum tempo. Não é imediato», observa. O curso de missiologia ajudou-a a encarar as diferenças culturais de outra forma. Lembrando o trabalho de reflexão realizado nos últimos dias, destaca a ideia de que é preciso «ver o que é essencial, o que nos une e não o que nos distancia».

 

Um complemento enriquecedor

 

«Este curso complementa bastante o que nós fizemos em teologia», afirma César Silva, finalista do curso. «Falta um pouco esta dimensão da missiologia e complementou muito bem. Fico muito contente porque abre perspectivas de missão muito necessárias», explica, referindo o mestrado em teologia que está prestes a concluir. «Há um contacto muito próximo com pessoas que já foram missionárias, com pessoas de outros países que são missionárias em Portugal. Isso é uma riqueza extraordinária porque é um diálogo entre o que se aprende na teoria e o que as pessoas vivem na prática e nos mostram», considera sobre a formação que teve início a 23 e termina a 27 de Agosto, em Fátima.

 

O curso de missiologia ajudou-o a perceber melhor a necessidade da abertura a outras realidades culturais e religiosas. «As expressões diferentes de fé tocam-nos de uma forma… quase que nos ferem», confessa. «Penso que é uma experiência muito boa porque nós, realmente, aos poucos conseguimos descobrir que Cristo está lá e se calhar até está mais do que nas nossas celebrações. No fundo, a questão da dança, do canto, das celebrações mais longas, do uso de paramentos litúrgicos diferentes para celebrar a Eucaristia mostra que realmente Cristo veio para todos», afirma o seminarista do Verbo Divino.

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