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Fátima
Curso de missiologia
Diálogo, religião e missão
Texto Cristina Santos | Foto Cristina Santos | 26/08/2011 | 10:00
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O diálogo inter-religioso foi um dos temas desenvolvidos durante o terceiro dia do curso de missiologia. Os grupos de trabalho lembraram que a missão deve ser feita como uma proposta e não deve ser imposta a ninguém
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O diálogo inter-religioso, diálogo com pessoas não cristãs, tem cada vez mais importância, na medida em que proliferam fenómenos de fundamentalismo um pouco por todo o mundo, começou por afirmar frei José Nunes. A Igreja católica tem tido uma posição «extremamente avançada», considera. Entre 1964 e 1990, vários textos e iniciativas da Igreja comprovam a evolução do diálogo inter-religioso. O frei destacou dois em particular. Um deles - diálogo e missão - data de 1984 e foi escrito pelo Secretariado para os Não Crentes, mais tarde denominado Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

 

Devem ser tidos em conta três grandes níveis: o diálogo espiritual e de vida; o diálogo de colaboração e o diálogo doutrinal. Há também três grandes exigências: o equilíbrio, a convicção religiosa e a abertura à verdade. Por sua vez, existem vários obstáculos ao diálogo, sendo eles a falta de profundidade na sua própria fé, o nível de conhecimento e de compreensão das outras religiões, as diferenças sócio-culturais e políticas das quais devemos ter consciência, a falta de abertura e as posições defensivas e a desconfiança em relação aos outros e em relação ao próprio diálogo.

 

José Nunes esclareceu também o uso da expressão: «Fora da Igreja não há salvação». A seguinte afirmação foi criada por São Cipriano de Cartago, bispo tunisino, em meados do século III. Era tempo de perseguição religiosa e o prelado usou a expressão para apelar os cristãos da sua diocese a não fugirem da Igreja. Mais tarde a frase é retomada por outros para condenar as pessoas que se mantinham fora dela. Alguns teólogos debruçaram-se sobre a matéria e elaboraram algumas conclusões. Karl Rahner foi um deles. O seu pensamento resumia-se em três pontos essenciais: Deus quer salvar todos os homens; A graça é necessária à salvação (ninguém se salva a si mesmo); Deus concede a graça em todas as religiões.

 

Por fim, o frei realçou algo que os formandos focaram, durante os trabalhos de grupo: A missão deve ser feita como uma proposta e não há necessidade de impor nada a ninguém. Portanto a missão é «partilhar a beleza do Evangelho», com as outras pessoas. «É testemunhar, dar a conhecer» algo que pode fazê-las «muito felizes».

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